Pacifismo se
tornou fora de moda nos Estados Unidos. Isso ocorreu por que Obama, o
candidato ta paz, agora pode fazer guerra sem a aprovação do
senado. Ele tem feito mais guerra, que George W. Bush.
Diferente do
que a maioria do povo Brasileiro acredita, embriagados pela rede
globo, Obama não é um presidente da paz, e os quarenta mil civis
mortos na Líbia demonstram sem sombra de dúvidas este fato.
Tudo
que foi necessário para calar toda a esquerda pacifista americana
foi um senador carismático. Um homem que com sua voz e seu porte,
domina o público. Vimos isto ocorrer muitas vezes pelo século XX.
Algumas vezes para o bem, algumas para o mal.
Estou
aqui para escrever sobre o filme Body of War, um filme que segue um
soldado americano que foi ferido durante o início da guerra do
Iraque. Este ferimento o tornou paraplégico.
Agora
se você está se perguntando o porque eu comecei este texto, que
fala sobre uma guerra iniciada por Bush falando de Obama, você
precisa ler um pouco mais sobre o que ocorre fora da bolha que é a
mídia Brasileira.
É
impossível não falar sobre Obama, pois um dos mais importantes
fatos do filme é mostrar que a resolução passada para a guerra do
Iraque era inconstitucional, ou seja, ela remove o maior mecanismo
que deveria impedir que uma guerra fosse feita, a declaração de uma
guerra.
Este poder não deve estar nas mãos do poder executivo. Sei que no Brasil, devido aos milhões de medidas provisórias, a ideia do executivo legislando ou fazendo qualquer coisa é bem normal. Mas em um país que costumava ser sério isso é absurdo.
Este poder não deve estar nas mãos do poder executivo. Sei que no Brasil, devido aos milhões de medidas provisórias, a ideia do executivo legislando ou fazendo qualquer coisa é bem normal. Mas em um país que costumava ser sério isso é absurdo.
Como
pode um presidente declarar uma guerra? Este poder não deveria e não
deve estar nas mãos de apenas um indivíduo. Os resultados disso
podem ser vistos pela história da humanidade. Quando um rei quer uma
guerra ele a tem. Este processo primitivo foi removido na construção
da constituição Americana. Lá está estipulado que uma guerra
apenas poderia ser efetuada com a aprovação do congresso. O
congressista votaria dependendo de sua vontade de ser reeleito, se as
pessoas do estado fossem contra a guerra o congressista deveria, em
um mundo normal, votar contra este ato.
Bush
foi o início de uma bola de neve de apropriação de poder executivo
nos EUA. Uma apropriação que agora chegou ao ponto de políticos da
administração Obama concluírem que o presidente não precisa de
nenhum tipo de medida afirmativa do congresso para iniciar uma
guerra. Neste mundo em que vivemos agora o presidente dos EUA pode
efetuar uma guerra com apoio ou aprovação da OTAN ou ONU, e o
congresso será apenas informado do que ocorre.
Isso
sem contar a resolução NDAA, aprovada e assinada por Obama, que
permite que cidadãos americanos sejam presos indefinidamente sem
direito a advogados. Ou da administração Obama que ano passado
revelou que é política o assassinato de cidadãos americanos em
outros países, usando drones.
Agora
voltemos ao filme. Se você é um ser humano com sentimentos e o
mínimo de empatia este documentário lhe trará a tona uma miríade
de sentimentos. A maioria dedes não será de sentimentos positivos.
Entre os que eu consegui listar foram: frustração, raiva, tristeza,
ansiedade e por fim complacência.
Observar
o resultado de uma guerra em um indivíduo. Sem o glamour de
Hollywood, sem o glamour dos generais de sete estrelas que ficam em
suas mesas escondidos da batalha ou dos políticos e seus discursos
bélicos. Sem o teleprompter afirmando o quanto aquele que está do
lado de lá da linha imaginária é ruim, o quanto são diferentes,
perigosos, horríveis, terríveis, monstros que devem ser
exterminados. Assassinos, vamos matar todos eles.
Mas
o resultado, nunca ninguém vê. Assim como os policiais no Brasil
que são feridos em serviço e depois morrem na fila do SUS, assim
como eles, o foco deste documentário, o jovem soldado, é o membro
esquecido de um grupo de pessoas que queremos esquecer. O resultado,
o refugo. O irritante lembrete de que a guerra não é bonita, de que
um tiro destrói mais do que carne, ossos e nervos. Que somos
intrinsecamente capazes de qualquer coisa, mas não somos capazes de
pensar nas consequências de todas estas ações.
Mais
do qualquer coisa este filme é sobre a falta de conexão entre
aqueles que iniciam a guerra e aqueles que tem que lutá-la. Aqui
enquanto escrevo estas palavras eu sei que este soldado não é o
único, não será o ultimo. Eu sei que ele está por aqui, eu
poderia ir até onde ele mora se eu quisesse. Este filme não suspende a sua crença para que
algo impossível seja crível, ele mostra a verdade, a terrível
verdade, em momento algum você pensa naquelas pessoas na tela, como
personagens.
Fica a dica. O documentário é bom, e
deve ser visto por todos que acham que guerra é legal. Que a guerra
é divertida. Que jogam Modern warfare em casa e consideram que a
próxima vez que um país vizinho fizer algo que não gostemos que a
solução é atravessar uma linha imaginária em um mapa e matar
pessoas.
Somo
todos carne, ossos e nervos nunca se esqueçam disso.

